E se?
E se você não voltar?
E se o amor acabar?
E se não acontecer?
E se eu não acreditar?
E se?
E se o amanhã não vier?
E se o outro dia chegar?
E se eu não souber responder?
E se não quiser falar?
E se?
E se as lágrimas cair?
E se não conseguir parar?
E se não puder te ver?
E se a esperança falhar?
E se?
E se palavras não sair?
E se o sonho acabar?
E se o coração doer?
E se não acordar?
E se?
"A descoberta consiste em ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou." - Jonathan Swift
quinta-feira, 13 de abril de 2017
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Fichamento do livro: "Como ordenar as ideias", Edivaldo Boaventura.

Ao analisar o livro “Como
Ordenar As Ideias”, já na introdução compreende-se perfeitamente como fazer tal
coisa, ‘Descartes ensina: “(...) conduzir por ordens os meus pensamentos,
começando pelos mais simples e mais fáceis de conhecer para subir pouco a pouco,
como por degraus (...)”’ (p.8). Os pensamentos misturam-se, é necessário antes
de qualquer início planejar de uma forma geral, como será o começo, o meio, e o
fim para que exista um crescimento contínuo em todo o desenvolvimento do seu
trabalho, por isso o planejamento é tão importante, sem ele, existe facilidade
de se perder, não focando em nada e fazer um trabalho sem fundamentos e
objetivos.
Como início de qualquer trabalho tem-se a introdução. “A
introdução é o espaço onde se anuncia, se coloca, se promete, se desperta...
Introduzir é convidar” (p.11). Esta é a parte principal, porque é através dela
que chama-se a atenção, introduzindo o tema a ser desenvolvido, despertando o
interesse e gerando uma expectativa no leitor ou ouvinte. Mas para isso antes
deve haver uma reflexão acerca do que vai repassar para não cometer o erro de
no desenvolvimento não falar naquilo que foi prometido.
Para isso, como foi frisado antes é preciso selecionar as
ideias, ‘afirma Ducassé. “Antes de escrever, aprenda a pensar”, já dizia
Boileau’ (p.12). Não é aconselhável traçar um plano definitivo, porque a medida
em que se escreve vão surgindo novas ideias, tornando o plano ainda um rascunho
que poderá passar por uma modificação, é mais viável pensar antes de escrever,
assim fica mais fácil separar o que interessa e o que não é interessante, o que
enriquece o tema e o que empobrece.
No momento de fazer a introdução é preciso antes saber
qual é a função dessa. “É preciso facilitar a entrada, a intercomunicação,
elucidando o que se vai dizer, sem subterfúgios” (p.13). Como antes aqui foi
mencionado, a introdução é uma das partes principais de qualquer trabalho, a
essa cabe a função de levar o leitor ou ouvinte até chegar ao desenvolvimento e
então a conclusão. Ela tem a função de abrir esse caminho dando coordenadas ao
receptor para que esse consiga enxergar a ideia central que é onde ele vai
chegar, sem encontrar dificuldades.
Algumas perguntas podem ser úteis ao começar uma
introdução; “É possível iniciar sem definir o assunto? Sem situá-lo no
contexto? Sem despertar a atenção? Sem indicar os pontos principais? ” (p.16),
ou seja, para uma boa apresentação faz-se necessário anunciar o tema,
contextualizá-lo, despertar o interesse do receptor e mostrar as ideias
principais; quando estiver respondido a essas perguntas, terá nas mãos os
elementos básicos para uma excelente introdução.
Depois de ter pensado, ordenado e escrito suas ideias
começa-se a redigir de fato a introdução, “Conseguir comunicar a exposição e
qual o caminho que seguirá o plano é o mais importante” (p.19), na introdução
expõe-se de maneira clara e objetiva o assunto a ser discutido e o caminho que
levará ao plano antes feito e esquematizado, tudo de forma motivadora e
cativante.
Terminada a introdução, como podemos ver no capítulo 3
passa-se ao desenvolvimento por partes, “Para compreender é preciso explicar, e
só se explica realmente, decompondo” (p.25). Assim, para chegar a uma
compreensão mais precisa é necessário decompor o tema, ou melhor, destrinchar todo
o trabalho organizado, dizer cada coisa de uma vez e cada qual em seu lugar,
assim fica mais fácil a explicação e consequentemente o entendimento. Decompor
o tema é nada mais que seguir passo a passo explicando detalhadamente cada
ideia exposta facilitando a compreensão do receptor.
Após a decomposição entra-se na divisão do assunto; “O
corpo do assunto pode conter duas partes, no mínimo, ou três, no máximo”
(p.28). Quanto a essa divisão, fica provado que a divisão em três partes é mais
complexa, pois ao sair da introdução até chegar à conclusão há um caminho maior
a ser seguido, sem esquecer que as ideias precisam estar interligadas, por isso
a esse tipo de divisão são reservadas as grandes obras que exigem um pouco mais
de tempo. Em contrapartida a divisão em duas partes é reservada a trabalhos
mais simples e menores, tornando-se mais fácil utilizar o método de duas ideias
podendo a segunda se opor a primeira, mas não é de qualquer maneira, as ideias
principais devem estar bem claras e definidas para poder quantificar as partes
do assunto.
Apesar de parecer simples dividir as partes de um
trabalho, existem vários erros que podem comprometê-lo. “O comodismo e a
vulgaridade levam a apontar os principais tipos de planos que devem ser
evitados” (p.32), segundo Mazeaud, há algumas recomendações quanto a isso: Não
é aconselhável fazer referências particulares, isso faz o trabalho desequilibrar;
“Colocar na primeira parte as vantagens e, na segunda, as desvantagens é por
demais vulgar(...)” (p.33), além de não mostrar esforço ainda causa dúvidas; muito
cuidado com as comparações é necessário refletir sobre as ideias gerais; um pouco
parecida com a anterior, as causas e consequências necessitam de atenção, na
primeira parte coloca-se as causas e na segunda as consequências , não as duas
coisas ao mesmo tempo. Enfim, existem vários equívocos que devem ser evitados
para que o trabalho permaneça num nível equilibrado.
A divisão do plano é algo muito
ampla, as hipóteses quanto ao que precisa ser evitado são muitas, é necessário
ficar atento. “Há muito que evitar na divisão” (p.36). Como antes aqui foi
mencionado não é difícil, mas exige esforço, não ir pelo plano fácil, e sim
tentar criar um original, ou seja, o seu plano, mesmo que isso seja uma tarefa
reflexiva e as vezes árdua, no final ganhará por ser o original não a cópia de
alguém. A divisão não se trata apenas de quantificar as partes, mas ter um
plano de tudo, retirando o desnecessário e observando minuciosamente cada
detalhe. Os títulos fazem parte desses detalhes, todas as divisões e
subdivisões precisam ser tituladas e os mais importantes requer caracteres
diferentes, podendo ser em negrito ou itálico.
As partes de um trabalho não são
partes isoladas, precisam de uma contextualização, por isso sempre reservar
palavras-chaves que possa ligar uma parte à outra é essencial, porque texto sem
contexto não faz sentido, logo é necessário entender todo o plano a ser
seguido, a ideia principal, para não fugir do tema ou mesmo perder o
equilíbrio, sem esse torna-se complicado o entendimento.
Esta tal divisão agora unida e contextualizada
encontra o equilíbrio. “O equilíbrio só é encontrado quando a previsão estiver
suficientemente estudada, revista, supressa alguma coisa, acrescentadas outras
tantas” (p.38). Ler e reler o trabalho é uma forma de conseguir isso, porque a
medida que se vai lendo, observa-se sempre algo que necessita de alguns
ajustes, ou mesmo descartar informações que serviria somente para entreter o
leitor ou ouvinte.
Ao terminar o desenvolvimento das
partes e por fim ter encontrado o equilíbrio, passa-se a conclusão, ou seja, ao
resumo de todo o seu trabalho. “Concluir é responder” (p.43). Assim como no
início do trabalho faz-se um convite despertando a curiosidade e entusiasmando
o receptor, na conclusão dá-se uma resposta a tudo que o tema retratou, de uma
maneira marcante e breve dando ênfase ao tema central. “Por que concluir não é
terminar, é alargar a ideia geral” (p.43). Esse é o momento de se envolver
ainda mais no trabalho e mostrar ao receptor possibilidades de ampliar o
conhecimento adquirido por ele até ali. Não é momento para novas ideias, mas
sim desenvolvê-las no público.
Neste último contato com o leitor é
necessário ser cauteloso, “O primeiro cuidado de quem conclui é dizer o
essencial” (p.44). Ou seja, o essencial se refere a ser breve e dizer somente o
necessário sem dá voltas e voltas, não tentar explicar detalhadamente, porque
essas explicações devem ser feitas no momento do desenvolvimento, agora é hora
de dá uma resposta ao que foi prometido na introdução.
Na verdade concluir é deixar marca,
é despertar perspectivas. “É na conclusão que se marca, impressionando,
ouvintes e leitores” (p.45). Não adianta começar o trabalho com uma
apresentação impecável e na hora de concluir não deixar boas impressões, dessa
forma apenas foi mostrada a ideia, porém esta não foi plantada, e então não
alcançará o resultado esperado. De um modo simplificado, um trabalho se resume
a uma introdução boa, um desenvolvimento ótimo, e uma conclusão excelente, assim
haverá um crescimento de um passo a outro sem desfalecer.
Ordenar as ideias não é tão simples
como muitos pensam, apesar das pessoas fazer isso mesmo sem saber, o desafio é
fazer de maneira correta e menos trabalhosa, não que será fácil, mas ir por
caminhos conhecidos e evitar outros meios que torna esse processo mais
demorado. E este livro “Como Ordenar As Ideias” ensina fazer isso de uma
maneira menos complicada, pois, andar por caminhos conhecidos é sempre mais
seguro.
Comentando Literatura
A carta de Caminha é considerada literatura?
No dois primeiros séculos de nossa história, houve literatura no Brasil ou do Brasil?
Inicialmente,
o que é literatura? Pois, para que um texto seja considerado literário faz-se
necessário identificar no mesmo, aspectos que caracterize a literariedade.
Segundo o professor e poeta, Ademmauro Gommes, “a literatura é entendida como
arte que trabalha com a imaginação e utiliza o sentido figurado permeado de
metáforas”. Tomando como base esse conceito, a Carta de Caminha não poderia ser
considerada um texto literário, já que ao lê-la não é possível entender algo
além da realidade. Assim também como mostra o crítico literário Rogel Samuel,
quando diz: “ a literatura desrealiza a realidade, para quebrar o monopólio da
realidade em definir e questionar o que é real, porque a realidade concreta
está mascarada, mistificada, alienada”. De acordo com este, a literatura quebra
a realidade absoluta dando possibilidade de questionar o que é real.
Quando se
ler a Carta do Achamento do Brasil, logo no início (linha. 5) “[... aqui não há
de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.]” e no final em suas últimas
linhas, “ E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa
terra vi” percebe-se que se trata de relatos. Esses trechos provam que esta
carta não é literária, Caminha escreveu a realidade, ele não usou metáforas, e
nem foi produto de sua imaginação, mas somente relatou o que viu.
Com base nessa discussão, algumas indagações foram
formadas, no que se refere ao início da nossa literatura. Assim tem-se a
pergunta: Houve literatura do Brasil
ou no Brasil? Quando se trata de
literatura no Brasil, o sentido é uma
obra literária, escrita, desenvolvida no país brasileiro, já quando se fala em
literatura do Brasil, trata-se de uma
obra sobre, a respeito do Brasil. De antemão, é possível falar que houve
literatura no Brasil, mas nos dois
primeiros séculos da nossa história, não há de se falar que existiu literatura do país brasileiro.
A carta de
Caminha, a mais conhecida enviada ao rei de Portugal, e assim como, Narrativa Epistolar de uma viagem 1585-1590 (Pe.
Fernão Cardim), Diálogo sobre a conversão
do gentio 1557 ou 1558 (Pe. Manuel da Nóbrega), Diário de Navegação 1530 (Pero Lopes de Souza), Tratado descritivo do Brasil 1587 (Gabriel
Soares), enfim todas as cartas escritas no primeiro momento da história
brasileira são enquadradas no que podemos chamar de textos informativos, já que
todas são recheadas de informações a respeito da terra, seus habitantes e seus
hábitos. Nada que possa ser visto como literatura.
Tendo em
vista essas informações, sabe-se que mesmo não sendo textos literários, essas
cartas, e sobretudo a carta de Pero Vaz de Caminha serviu como marco no início
da nossa literatura; e falando-se em marco, não se pode esquecer a contribuição dos jesuítas, missionários que
vieram com a intenção de catequizar os índios ,entre eles podemos destacar
Manuel da Nóbrega, Fernão Cardim e especialmente o grande intelectual, José de
Anchieta, este último, embora considerado por Sílvio Romero, em sua História da Literatura Brasileira e
Ronald de Carvalho, em Pequena História
da Literatura Brasileira, como “O mais antigo vulto de nossa história
intelectual”, para o crítico José Veríssimo há uma exclusão de sua contribuição
para a literatura brasileira, mas tratando-se de seus poemas, esse sim é
examinado sob a perspectiva literária.
Quanto às suas composições
poéticas, essas apenas lhe autorizam a menção do nome, por outros e melhores
títulos gloriosos, entre os nossos primitivos versejadores. São tanto
literatura como os diversos catecismos bilíngues escritos no período colonial (
1929:47)
Mas uma vez, o conceito de
literatura é mencionado. Para José veríssimo, as obras de José de Anchieta no
que tange as informações da terra é totalmente excluída de contribuição para a
literatura brasileira simplesmente pela estética.
De acordo com o livro
História Concisa da Literatura Brasileira, de Alfredo Bosi, (capítulo I, p. 19),
os autos do Padre José de Anchieta são “definitivamente pastorais no sentido
eclesial da palavra, destinados à edificação do índio e do Branco em cerimônias
litúrgicas”, mas seus poemas “valem em si mesmos como estruturas literárias”.
Podemos identificar claramente com os trechos de um auto e um poema:
Auto Representado na festa
de São Lourenço:
Bom Jesus, quando te vejo
Na cruz, por mim flagelado,
Eu por ti vivo e queimado
Mil vezes morrer desejo
Os autos com intenção
religiosa, preso a uma tradição com intuito de ensinar, e a figura de Deus é
enaltecida.
Poema: A
santa Inês
Nossa culpa escura fugirá depressa, pois vossa cabeça vem com luz tão
pura
Já os poemas não tinham intenção religiosa e com uma estrutura de
literatura se destacava por sua linguagem metafórica.
Com isso, conclui-se que mediante análise, levando em
consideração o conceito de Literatura, nos primeiros séculos de nossa história,
houve literatura no Brasil (poemas de José de Anchieta), mas não do Brasil, e
ainda a Carta de Caminha não é considerada literatura, porque não se enquadra
no que tange a perspectiva literária, ela sim, é o documento, certidão de
nascimento do pais brasileiro.
Referências:
Referências:
- · http://www.virtualbooks.com.br/v2/ebooks/pdf/00069.pdf
- · http://www.veredaliteraria.com/2015/11/jose-de-anchieta-5-poemas.html
- · http://www.scielo.org/php/index.php
- GOMMES, Admmauro. Síntese da literatura Brasileira. Recife: Ideia Empreendimentos, 2013.
- BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 43 ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
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