Powered By Blogger

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Fichamento do livro: "Como ordenar as ideias", Edivaldo Boaventura.




Ao analisar o livro “Como Ordenar As Ideias”, já na introdução compreende-se perfeitamente como fazer tal coisa, ‘Descartes ensina: “(...) conduzir por ordens os meus pensamentos, começando pelos mais simples e mais fáceis de conhecer para subir pouco a pouco, como por degraus (...)”’ (p.8). Os pensamentos misturam-se, é necessário antes de qualquer início planejar de uma forma geral, como será o começo, o meio, e o fim para que exista um crescimento contínuo em todo o desenvolvimento do seu trabalho, por isso o planejamento é tão importante, sem ele, existe facilidade de se perder, não focando em nada e fazer um trabalho sem fundamentos e objetivos.
            Como início de qualquer trabalho tem-se a introdução. “A introdução é o espaço onde se anuncia, se coloca, se promete, se desperta... Introduzir é convidar” (p.11). Esta é a parte principal, porque é através dela que chama-se a atenção, introduzindo o tema a ser desenvolvido, despertando o interesse e gerando uma expectativa no leitor ou ouvinte. Mas para isso antes deve haver uma reflexão acerca do que vai repassar para não cometer o erro de no desenvolvimento não falar naquilo que foi prometido.
            Para isso, como foi frisado antes é preciso selecionar as ideias, ‘afirma Ducassé. “Antes de escrever, aprenda a pensar”, já dizia Boileau’ (p.12). Não é aconselhável traçar um plano definitivo, porque a medida em que se escreve vão surgindo novas ideias, tornando o plano ainda um rascunho que poderá passar por uma modificação, é mais viável pensar antes de escrever, assim fica mais fácil separar o que interessa e o que não é interessante, o que enriquece o tema e o que empobrece.
            No momento de fazer a introdução é preciso antes saber qual é a função dessa. “É preciso facilitar a entrada, a intercomunicação, elucidando o que se vai dizer, sem subterfúgios” (p.13). Como antes aqui foi mencionado, a introdução é uma das partes principais de qualquer trabalho, a essa cabe a função de levar o leitor ou ouvinte até chegar ao desenvolvimento e então a conclusão. Ela tem a função de abrir esse caminho dando coordenadas ao receptor para que esse consiga enxergar a ideia central que é onde ele vai chegar, sem encontrar dificuldades.
            Algumas perguntas podem ser úteis ao começar uma introdução; “É possível iniciar sem definir o assunto? Sem situá-lo no contexto? Sem despertar a atenção? Sem indicar os pontos principais? ” (p.16), ou seja, para uma boa apresentação faz-se necessário anunciar o tema, contextualizá-lo, despertar o interesse do receptor e mostrar as ideias principais; quando estiver respondido a essas perguntas, terá nas mãos os elementos básicos para uma excelente introdução.
            Depois de ter pensado, ordenado e escrito suas ideias começa-se a redigir de fato a introdução, “Conseguir comunicar a exposição e qual o caminho que seguirá o plano é o mais importante” (p.19), na introdução expõe-se de maneira clara e objetiva o assunto a ser discutido e o caminho que levará ao plano antes feito e esquematizado, tudo de forma motivadora e cativante.
            Terminada a introdução, como podemos ver no capítulo 3 passa-se ao desenvolvimento por partes, “Para compreender é preciso explicar, e só se explica realmente, decompondo” (p.25). Assim, para chegar a uma compreensão mais precisa é necessário decompor o tema, ou melhor, destrinchar todo o trabalho organizado, dizer cada coisa de uma vez e cada qual em seu lugar, assim fica mais fácil a explicação e consequentemente o entendimento. Decompor o tema é nada mais que seguir passo a passo explicando detalhadamente cada ideia exposta facilitando a compreensão do receptor.
            Após a decomposição entra-se na divisão do assunto; “O corpo do assunto pode conter duas partes, no mínimo, ou três, no máximo” (p.28). Quanto a essa divisão, fica provado que a divisão em três partes é mais complexa, pois ao sair da introdução até chegar à conclusão há um caminho maior a ser seguido, sem esquecer que as ideias precisam estar interligadas, por isso a esse tipo de divisão são reservadas as grandes obras que exigem um pouco mais de tempo. Em contrapartida a divisão em duas partes é reservada a trabalhos mais simples e menores, tornando-se mais fácil utilizar o método de duas ideias podendo a segunda se opor a primeira, mas não é de qualquer maneira, as ideias principais devem estar bem claras e definidas para poder quantificar as partes do assunto.
            Apesar de parecer simples dividir as partes de um trabalho, existem vários erros que podem comprometê-lo. “O comodismo e a vulgaridade levam a apontar os principais tipos de planos que devem ser evitados” (p.32), segundo Mazeaud, há algumas recomendações quanto a isso: Não é aconselhável fazer referências particulares, isso faz o trabalho desequilibrar; “Colocar na primeira parte as vantagens e, na segunda, as desvantagens é por demais vulgar(...)” (p.33), além de não mostrar esforço ainda causa dúvidas; muito cuidado com as comparações é necessário refletir sobre as ideias gerais; um pouco parecida com a anterior, as causas e consequências necessitam de atenção, na primeira parte coloca-se as causas e na segunda as consequências , não as duas coisas ao mesmo tempo. Enfim, existem vários equívocos que devem ser evitados para que o trabalho permaneça num nível equilibrado.
            A divisão do plano é algo muito ampla, as hipóteses quanto ao que precisa ser evitado são muitas, é necessário ficar atento. “Há muito que evitar na divisão” (p.36). Como antes aqui foi mencionado não é difícil, mas exige esforço, não ir pelo plano fácil, e sim tentar criar um original, ou seja, o seu plano, mesmo que isso seja uma tarefa reflexiva e as vezes árdua, no final ganhará por ser o original não a cópia de alguém. A divisão não se trata apenas de quantificar as partes, mas ter um plano de tudo, retirando o desnecessário e observando minuciosamente cada detalhe. Os títulos fazem parte desses detalhes, todas as divisões e subdivisões precisam ser tituladas e os mais importantes requer caracteres diferentes, podendo ser em negrito ou itálico.
            As partes de um trabalho não são partes isoladas, precisam de uma contextualização, por isso sempre reservar palavras-chaves que possa ligar uma parte à outra é essencial, porque texto sem contexto não faz sentido, logo é necessário entender todo o plano a ser seguido, a ideia principal, para não fugir do tema ou mesmo perder o equilíbrio, sem esse torna-se complicado o entendimento.
            Esta tal divisão agora unida e contextualizada encontra o equilíbrio. “O equilíbrio só é encontrado quando a previsão estiver suficientemente estudada, revista, supressa alguma coisa, acrescentadas outras tantas” (p.38). Ler e reler o trabalho é uma forma de conseguir isso, porque a medida que se vai lendo, observa-se sempre algo que necessita de alguns ajustes, ou mesmo descartar informações que serviria somente para entreter o leitor ou ouvinte.
            Ao terminar o desenvolvimento das partes e por fim ter encontrado o equilíbrio, passa-se a conclusão, ou seja, ao resumo de todo o seu trabalho. “Concluir é responder” (p.43). Assim como no início do trabalho faz-se um convite despertando a curiosidade e entusiasmando o receptor, na conclusão dá-se uma resposta a tudo que o tema retratou, de uma maneira marcante e breve dando ênfase ao tema central. “Por que concluir não é terminar, é alargar a ideia geral” (p.43). Esse é o momento de se envolver ainda mais no trabalho e mostrar ao receptor possibilidades de ampliar o conhecimento adquirido por ele até ali. Não é momento para novas ideias, mas sim desenvolvê-las no público.
            Neste último contato com o leitor é necessário ser cauteloso, “O primeiro cuidado de quem conclui é dizer o essencial” (p.44). Ou seja, o essencial se refere a ser breve e dizer somente o necessário sem dá voltas e voltas, não tentar explicar detalhadamente, porque essas explicações devem ser feitas no momento do desenvolvimento, agora é hora de dá uma resposta ao que foi prometido na introdução.
            Na verdade concluir é deixar marca, é despertar perspectivas. “É na conclusão que se marca, impressionando, ouvintes e leitores” (p.45). Não adianta começar o trabalho com uma apresentação impecável e na hora de concluir não deixar boas impressões, dessa forma apenas foi mostrada a ideia, porém esta não foi plantada, e então não alcançará o resultado esperado. De um modo simplificado, um trabalho se resume a uma introdução boa, um desenvolvimento ótimo, e uma conclusão excelente, assim haverá um crescimento de um passo a outro sem desfalecer.

            Ordenar as ideias não é tão simples como muitos pensam, apesar das pessoas fazer isso mesmo sem saber, o desafio é fazer de maneira correta e menos trabalhosa, não que será fácil, mas ir por caminhos conhecidos e evitar outros meios que torna esse processo mais demorado. E este livro “Como Ordenar As Ideias” ensina fazer isso de uma maneira menos complicada, pois, andar por caminhos conhecidos é sempre mais seguro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens Recentes:

SEJA DIFERENTE É bem comum escutar a expressão "vá na onda" e "não faça onda" e quase sempre é isso que fazemos. A ar...